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01/10/2016 00h00
 

ELEIÇÕES COMO ENIGMA
Razão e Sensibilidade

 
Nesta pintura, Rafael, nos mostra, ao fundo o dilema da humanidade - Aristóteles x Platão - O primeiro apontando o imperativo da Ética; o segundo, o diálogo Timeu

                         

 

Paulo Timm – Especial para A FOLHA, Torres set 30 2016

“As coisas em si mesmas não são nem boas nem más, é o pensamento que as torna desse ou daquele jeito”

W .Shakespeare – “Moral e o Sonho”

“ Me atenho ao ponto de vista de que o pendor à agressão é uma disposição do instinto original e autônoma do ser humano, e retorno que afirmei antes, que a civilização tem aí seu mais poderoso obstáculo.”

S. Freud, “O Mal Estar de Civilização” - Pg. 90

Eis-me aqui; se não posso fazer de outro modo, aqui paro (…) Na medida em que isso é válido, uma ética de fins últimos e uma ética de responsabilidade não são mais contrastes absolutos e só em uníssono constituem um homem genuíno – um homem com vocação política”.

Max Weber em “ A Politica como vocação” -1918

 1:42:16

https://www.youtube.com/watch?v=DqonZduX5dI

1.      

25 de jul de 2013 - Vídeo enviado por Escola de Filosofia

http://escola-de-filosofia.webnode.com/ Nesta aula, analisaremos o Timeu dePlatão, onde ele procura ...

 

*

Chegamos ao momento orgástico da democracia: Eleições livres, diretas e secretas. Pena que não são  gerais,  pra tudo, todos os níveis,  mas isso é outro assunto...Contentemo-nos, por enquanto, com as municipais.

Alguns já têm seus candidatos, uns por interesses inconfessáveis, outros por simpatia ideológica ou mesmo afeto. Muitos, entretanto,  ainda vacilam entre votar e não votar, anular ou votar em branco, ou se indagam como  (?) escolher um candidato. A estes dedico, hoje, minhas reflexões. Antes advirto o que tenho repetido insistentemente, aqui, sobre duas coisas: Há tempos me desfiz do político que fui e há tempos me fartei, também, de fazer a cabeça de quem quer que seja, sem prejuízo de dizer o que penso. Nisso, sigo José Saramago. Ele dizia que isso de conscientizar os outros era, na verdade, uma falta de respeito. E ele era comunista. Eu também...O que neste ano da graça de 2016 nada tem a ver com seguir dogmaticamente os manuais do marxismo-leninismo herdado do socialismo real forjado pelo estalinismo. Portanto, vamos lá

Como escolher um candidato?

O bom senso, primo irmão das boas intenções, ensina que o primeiro passo é ser capaz de distinguir as razões de cada candidato, para o quê se exige do eleitor  que o mesmo seja devidamente qualificado, preferentemente alfabetizado e informado, o que requereria um sistema perfeito, sem manipulações,  de formação da opinião pública.  Devo dizer que isso não é tarefa fácil. Os muito antigos, antes de Sócrates e da Filosofia, costumavam dizer que em tudo, no mundo, há o justo e o injusto e ambos são igualmente justificáveis. Daí mandarem, já naquela época, os filhos à escola para aprenderem oratória e retórica. Tudo dependia dos argumentos. Desse ponto de vista, todos os candidatos têm as suas razões. Difícil classificá-las em boas ou más, verdadeiras ou falsas.

Imagina-se que a Filosofia e, contemporaneamente, as Ciências ajudariam nesse processo e até criou-se uma Ciência Política que, eventualmente, poderia ser decisiva nesse processo. Ledo engano, como lembra a Professora Catarina Peixoto:

A filosofia não existe para resolver os problemas do verdadeiro e do falso, do que existe e do que não existe, mas para nos ajudar e entender e a descrever a natureza e o escopo desses problemas, inclusive na vida cotidiana. Inclusive frente ao poder político e ao direito.

(Catarina Peixoto FB - Acesso 28 Sep 2016 – Publ. Diario do Centro do Mundo)

 

Restaria recorrer às Ciências em busca de resposta ao dilema. Afinal , o mundo moderno repousa sobre os pilares da razão e da liberdade, como bem assinala Cesar Benjamin

O iluminismo forneceu os dois conceitos fundamentais que justificaram o papel universal da burguesia européia: razão e liberdade.

Conceitos gêmeos. Até então, a revelação e a tradição é que forneciam normas válidas para a organização da ida social. O pensamento só poderia ocupar um lugar central se também dele fosse possível deduzir princípios e normas universais que ultrapassassem os limites da mera opinião. Enorme desafio. Os iluministas afirmaram que era possível superá-lo: o pensamento podia produzir esses conceitos universais, e à sua totalidade eles denominaram razão. A razão pressupunha a liberdade, pois o sujeito só pode atingir a verdade se o seu esforço de conhecimento não reconhecer nenhuma autoridade externa que lhe imponha limites. E a liberdade pressupunha a razão, pois ser livre é poder agir de acordo com o conhecimento da verdade.

(Cesar Benjamin in A atualidade de Marx – FB Acesso 28 out.2016)

Com efeito, a razão poderia nos orientar neste sentido, como pretendem alguns neopositivistas de esquerda e de direita. Temos, enfim, um legado da modernidade desde Galileu, Newton, Kant, Darwin, Hegel e Marx que consiste exatamente na capacidade para estabelecer relações de causalidade, de inferência e de probabilidade. Será que tudo isso não ajuda?

Ajudar, ajuda. Mas não resolve, a menos que eu tenha, a princípio, uma inclinação por algum dos valores em jogo no mercado de opiniões e, então, prefira um candidato assim, outro assado. Neste mercado há, desde sempre, uma esquerda motivada pela loucura por justiça e uma direita ensandecida pela liberdade. Pelo menos, é o que proclamam... Mas o problema é que conseguimos,  com o legado da razão,  um mínimo de consenso  das Ciências da Natureza  sobre como ir à lua, mas isso não existe, nem na Filosofia, nem nas Ciências Humanas. Nas últimas décadas, sobretudo, passado o ímpeto racionalista que tentou construir, nas Ciências Humanas, um equivalente da  Física e da Química, elas vão ganhando um estatuto cada vez mais próprio que parte da linguagem:

“As Ciencias Humanas se distinguem das C..Formais e C. Naturais por se aterem à compreender os comportamentos individuais e coletivos a partir de três categorias fundamentais: subjetividade, o simbólico e a significação.”

(Elizabeth  Rudinesco pg. 120- Psicanálise)

Houve um tempo, logo depois do desmantelamento da União Soviética em que parecia que o socialismo havia desaparecido como consigna e um autor ficou famoso ao escrever um livro intitulado “O Fim da História”. Sobre ele repousou o chamado “Consenso de Washington”, que simplesmente afirmava a máxima neoliberal  “No alternative”, isto é, não há outro caminho a não ser o capitalismo (ainda que selvagem). A verdade é que estamos longe de uma Ciência da Sociedade que nos diga, com segurança, o melhor caminho a seguir. Continuamos tateando. Mesmo no campo do marxismo, que se converteu na doutrina do “socialismo científico”, tem havido uma mudança de enfoques muito grande desde o século XIX. A base social e material da Teoria Crítica saiu da base material e social herdada de Rousseau e Marx, transitou pelo culturalismo de Gramsci e da Escola de Frankfurt e hoje repousa sobre os afetos. Voltamos à polêmica do século XVIII  entre o grande Immanuel Kant e até hoje obscuro Jacobi: Razão x Sensibilidade.

 

                                  

 

 

 

                   IMMANUEL    KANT – Filósofo alemão – sec. XVIII

Para Kant a razão afiança a vitória da vontade santa sobre a dor e a impermanência, dois aspectos fundamentais da finitude prática do homem.

(Loparick- Ética e Finitude)

X

JACOBI - F. Heinrich Jacobi, Filósofo alemão -1789

A fonte da moralidade está no sentimento do Bem (...)

Não alcançaremos jamais “o que é” senão pelo sentimento ou pela intuição.  Pelo raciocínio ... não.

 

 

Já não estamos, é certo,  sob o império da Santa Ignorância, mas não ultrapassamos o umbral da dita Douta (Ignorância): “O único que sei é que nada sei”. Em matéria Política continuamos navegando nas águas do  senso comum, divisa do bom senso e das boas intenções, as quais, aliás, formam opiniões que não controlamos....

Parece, enfim, que andamos em círculo. E estamos longe daquilo que o próprio Kant identificaria como um Signo Histórico do Progresso, tal como nos adverte o competente conterrâneo João Carlos Brum Torres:

Em O Conflito das Faculdades, depois de perguntar Se estará o gênero humano em constante progresso para o melhor , Kant acrescenta que só se poderá responder positivamente a essa interrogação se a experiência nos apresentar "um acontecimento que aponte”, ainda que “de modo indeterminado quanto ao tempo", nossa "aptidão para sermos causa do progresso", permitindo, assim, "inferir a progressão para o melhor (....)."  Um tal acontecimento, acrescenta Kant, deverá ser tido então “como signo histórico", um signum rememorativum, demonstrativum, prognostikon”.

João Carlos Brum Torres - Setembro de 2016

In AS ELEIÇÕES AMERICANAS DE 2016 COMO SINAL HISTÓRICO

O tempo passa mas os problemas do homem e as situações sociais e desafios perante à História permanecem as mesmas, se é que não retrocedem. Ou como dizia Einstein:

“Não sei como será a III Guerra Mundial, mas sei que a IV será com arco e flechas “

Vade retro! Kyrie Eleisson!

 Daí que tenhamos que voltar, com humildade, ao ponto inicial desta questão: Como escolher o melhor candidato, vez que nem a Filosofia, nem as Ciências ajudam muito? Muito simples: Assumir que a Política nem é  o Reino da Verdade, nem é o Reino da Técnica ou dos Sábios, como queria Platão. A Política é o espaço da disputa de opiniões divergentes sobre o interesse público. Não há, jamais, nenhuma garantia de que a opção A seja melhor do a B , que o Partido tal é melhor do que o outro, muito embora possa haver vestígios para a decifração do enigma para cada segmento da população em cada momento. Mas sempre um enigma e a eterna dúvida entre uma ética imutável de princípios, carregada por Aristóteles sob o título de “Ética a Nicômano”, no famoso afresco “Escola de Atenas”, de Rafael, no Vaticano,  e uma ética  de compromissos com a ideia de progresso, representada por Platão, com o seu “Timeu”, ambos, personagens centrais da cultura ocidental. Dilema, aliás, retomado por Max Weber em sua conferência a estudantes da Escola de Munique, Alemanha, em janeiro de 1919, intitulada “A Política como vocação”.

O preço da civilização – até que desponte no horizonte a utopia do sacrifício consentido – é uma limitação da liberdade no plano da ação e uma limitação de consciência  no plano do conhecimento . (...)

Cativa, a razão não pode fundar um diálogo entre homens livres: é preciso libertá-la. Mas não se trata de libertá-la para a ciência, e sim para a doxa (opinião), para a prática da palavra que permite ao Homem revelar e revelar-se, tornando transparentes os contextos externos e internos da dominação ilegítima.

(Sergio Paulo  Rouanet in “A RAZÃO CATIVA”)

Sendo assim, a minha resposta  à questão sobre o melhor candidato é esta: Consulte o travesseiro...E aos que me contestam dizendo que isso é um relativismo intolerável encerro com Umberto  Eco em sua coluna no Expresso em julho de 2005 , intitulada “Relativismo?”

“Mas se tudo isso é relativismo, então apenas duas filosofias  fogem completamente a esta acusação: um neotomismo radical e a teoria do conhecimento que Lenine descreveu em Materialismo e Empiriocriticismo. Estranha aliança.”

E lavre-se em ata, para registro.

 

                                                        ***

 
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