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09/09/2016 00h00
 

O INÍCIO, O FIM E O MEIO
Ás vezes você me pergunta...

 
Cena do cotidiano

 

                                                     Paulo Timm – Especial A FOLHA, Torres – 09 set 2016

Documentário - Raul - O Início, o Fim e o Meio - YouTube 

 1:46 

https://www.youtube.com/watch?v=R8WgMWZ3zUQ

23 de fev de 2014 - Vídeo enviado por Baixando na Faixa

Baixar o Documentário - Raul - O Início, o Fim e o Meio ... Raul Seixas - O Inicio do FIM 1987 a 1989

 “Mas se tudo (isto) é relativismo, então apenas duas filosofias fogem  completamente a esta acusação: um neotomismo radical e a teoria do conhecimento que Lenine descreveu em Materialismo e Empiriocriticismo.Estranha aliança.”

Umberto Eco – “Relativismo”, Expresso, junho 2003 – Publicado em “A Passo de Caranguejo”, Ed. Gradiva, Lisboa,2012, pg. 402

    

                                                   

Amanheci este dia 08 estremunhado. Um longo email do Senador Cristovam Buarque, justificando seu voto pelo impeachment de Dilma, enquanto lamentava a intolerância que ele e família vêm sofrendo, aguardava minha aurora. Nenhuma distinção especial a mim. Fomos, apenas, colegas – professores – durante muitos anos na Universidade de Brasilia e nos correspondemos. Respondi imediatamente, hipotecando-lhe solidariedade e dizendo-lhe que desconheço, por princípio, delito de opinião e que não via, na sua posição, nenhum delito de traição, ainda que registrando minha contrariedade ao impeachment. Deveria ter acrescentado que o problema não é nunca a Raínha, mas o Rei, o Poder, em suas múltiplas manifestações. Deixa pra lá. Volto ao ofício. A coluna me espera.

Sôo na dúvida entre iniciar-me com Machado de Assis ou Guimarães Rosa, meus preferidos. A cidade o sertão, ambos universais. Mas como vi, ontem, um belo documentário sobre Openheimer, Físico americano responsável pelo Projeto Manhatan, que viria a detonar a primeira explosão nuclear da História sobre Hiroshima no dia 06 de agosto de 1945, opto por uma pista mais remota à pátria, como introdução aos seus destinos.

Conta-se que o famoso Físico W.Heisemberg, indicado por Hitler, no início da Guerra, para tocar o projeto do que viria a ser a bomba atômica – e que, se inventada antes dos americanos poderia ter dado outro curso ao mundo – teria respondido: - “O princípio é fácil. Já o processo...” Depois da guerra ele foi reabilitado, teve um importante papel no desenvolvimento da Ciência e não se cansava de dizer que havia, na verdade, apesar de leal à Alemanha, patriota, feito um certo corpo mole para evitar que os nazistas ganhassem a guerra com seu invento. Quem sabe...? Verdade é sempre como o horizonte. Quanto mais se chega perto, mais se distancia. Resta-nos a certeza, que tem um estatuto meramente subjetivo. A mim, de coração anarquista, sempre de luto diante de alguma injustça, nem uma, nem outra...

Aqui no Brasil, o impeachment de Dilma foi como uma bomba. Mesmo os que mais advertiam para as sequelas políticas e até institucionais da saída dela, como eu, aqui nesta coluna, se surpreendem com a eclosão de protestos. Na verdade, aqui também, se o início do impeachment foi demorado, foi também fácil, na pena do então Presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, já  seu processo verificou-se controverso e tumultuado e, para piorar, seu próprio fim ainda não está claro. Paira no ar, ou melhor, no Supremo Tribunal Federal, a questão do fatiamento da pena de Dilma, aprovada na última hora, com o consentimento do Presidente Lewandowski, que lhe garantiu, à revelia do texto inequívoco do arigo 52 da Constituição, os direitos políticos. Muitos juristas acham que o Senado se excedeu, prometendo, alguns, até ações judiciais que prometem delongar-se por anos a fio. Não poucos acreditam que ainda poderá haver reversões.

Entendimento é pelo não fatiamento da pena, afirma ex-ministro do STF

http://www.contasabertas.com.br/website/arquivos/13587

E agora?

Dilma voltou pra casa. Michel Temer está devidamente empossado como Presidente efetivo até 31 de janeiro de 2017.  As instituições do país funcionam. Os padres celebram suas missas. Os maridos e esposas cumprem seus deveres conjugais. As crianças vão à escola. Os aviões sobem e descem, enquanto os carros congestionam e poluem as grandes cidades. Os candidatos às eleições municipais correm em busca de votos. Um amigo morre. Mas o Brasil não morreu. Nem morrerá. Continua de pé. Os problemas, porém,  continuam os mesmos de antes do impeachment, com o agravante dos clamores das ruas, quase incontroláveis, a alimentar a escalada de ódios e ressentimentos polarizados.  Nela, não há espaço para meios termos, entrelinhas, ou negociação. Voltamos ao “Ou crê ou morre”, que alimentou um dos lados no tempo das Cruzadas, ao que o outro respondia com “Deus assim quer”.  Difícil. Pior: O confronto, repetido à exaustão vai construindo novas paisagens e de suas aparências reinterpretações dos fatos originais. Hoje, por exemplo, ficamos perplexos diante dos imensos caminhões retirando do Palácio da Alvorada os pertences de Dilma Roussef. Como pode? A verdade, é que, talvez, não tenha nada demais. O homem, dizia o fundador da Geografia Humana, emigra com sua concha. Já uma Presidente com seus arquivos. A narrativa do “golpe”, tão bem arredondada pelos defensores do Governo Dilma, no princípio, parecia alucinação. Gradualmente, à luz de novas circunstâncias, muita gente avessa ao PT começa a chamar o Temer de golpista. Ao fim e ao cabo, tudo se resume não nos fatos em si, mas naquilo que o autor de SAPIENS, Y.Harari, um best seller bastante conhecido, denomina como vitória da ficção na conquista da fala pela espécie. Nunca para advertir sobre o perigo de tigre iminente, para o que bastaria o mimo dos gestos  com alguns sons guturais primitivos. Mas para contar histórias e fazer fofocas...Vence aquele que, independentemente de qualquer fundamente revela-se mais convincente. Política, aliás, é isso: Obtenção de consensos pelo discurso e quando o discurso não se basta, a Política continua por outros meios – violência e guerra -  sua perseguição incansável na conquista da Coroa. O Rei. O Poder. Aí, como, queria o cigano Raul Seixas, em Gita:

Mas eu sou o amargo da língua O início, o fim e o meio /Eu sou o início, o fim e o meio” .

E ele nem era Físico. Nem Político. Muito menos alemão. O que  tinha eu que ir lá atrás naquele papo do Heisemberg quando tinha aqui, na ponta do nariz, um modelito exemplar. Mas é sempre assim: O mais difícil de se ver é o que está diante dos olhos...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Raul - O Início, o Fim e o Meio ... Raul Seixas - 


"Eu que já andei pelos quatro cantos do mundo procurando, foi justamente num sonho que Ele me falou" Às vezes você me pergunta Por que é que eu sou tão calado Não falo de amor quase nada Nem fico sorrindo ao teu lado Você pensa em mim toda hora Me come, me cospe, me deixa Talvez você não entenda Mas hoje eu vou lhe mostrar Eu sou a luz das estrelas Eu sou a cor do luar Eu sou as coisas da vida Eu sou o medo de amar Eu sou o medo do fraco A força da imaginação O blefe do jogador Eu sou, eu fui, eu vou Gita gita gita gita gita Eu sou o seu sacrifício A placa de contra-mão O sangue no olhar do vampiro E as juras de maldição Eu sou a vela que acende Eu sou a luz que se apaga Eu sou a beira do abismo Eu sou o tudo e o nada Por que você me pergunta Perguntas não vão lhe mostrar Que eu sou feito da terra Do fogo, da água e do ar Você me tem todo dia Mas não sabe se é bom ou ruim Mas saiba que eu estou em você Mas você não está em mim Das telhas eu sou o telhado A pesca do pescador A letra A tem meu nome Dos sonhos eu sou o amor Eu sou a dona de casa Nos pegue-pagues do mundo Eu sou a mão do carrasco Sou raso, largo, profundo Gita gita gita gita gita Eu sou a mosca da sopa E o dente do tubarão Eu sou os olhos do cego E a cegueira da visão Mas eu sou o amargo da língua A mãe, o pai e o avô O filho que ainda não veio O início, o fim e o meio (2x) Eu sou o início, o fim e o meio (3x)

 

 
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