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15/07/2016 00h00
 

APESAR DE TUDO, A VIDA É BELA
Vamos em frente

 
Daqui a pouco...


Paulo Timm – Especial A FOLHA 15 julho 2016

Aos primeiros sinais de desarmamento dos espíritos no Brasil, com a eleição do novo Presidente da Câmara dos Deputados,  Rodrigo Maia,  graças aos votos da esquerda e PSDB ( quem diria...?), simultânea ao declínio do Deputado  Eduardo Cunha, volto-me aos temas do mundo. Só espero que não se cumpra a profecia de Goethe: “Foi-se o mal,  a maldade continua”... Xô!!! Esperemos o melhor, ainda que sujeitos às turbulências de agosto, quando se definirá o destino final de Dilma Roussef. Tudo indica que, passada a tempestade, na calmaria de planície, muitos dirigentes petistas dominados pela fria lógica da Política, se perguntem:” Afinal, o que é mais importante para nós: “Dilma ou o PMDB? Pior é o Centrão...”

Volto-me para o mundo.

A Europa ainda se recupera da saída da Grâ Bretanha da União Europeia, enquanto se debate, no seu interior -ainda! - com as sequelas da Crise de 2008. Seu maior Banco, o Deutsch Bank, dá sinais de que está em situação difícil, muito parecida àquela do Lehmann Brothers, nos Estados Unidos.  Pode-se dizer que se vive, aqui, uma época de reflexões e mudanças. Acabou o sossego, ainda que a vida, em geral, muito interiorana em toda Europa, seja bastante tranquila. Portugal, por exemplo, é o quinto país mais pacífico do mundo. Neste quesito, nós, brasileiros, nada herdamos...

A primeira mudança  se faz na Grã Bretanha, com a posse de nova Primeira Ministra Thereza May, em meio a um cenário de brutal queda do valor da libra esterlina, provocada pelo anúncio da saída da União Europeia,  e riscos de separação da Escócia - talvez Irlanda do Norte - , para não falar da forte reação da população londrina que chegou, até, em falar de se constituir em Cidade Estado. (Já pensou se a moda pega no Brasil? Podíamos deflagrar um Movimento pela República Solar de Torres...! )

Thereza May terá, entretanto,  que lidar com todos os velhos e novos problemas, começando pelos procedimentos para o retorno à economia de um só e soberano país. Tem, ela, contudo, a seu favor, o ter recolocado o Partido Conservador fora do alcance das figuras apoteóticas e demagógicas,  que pesaram a favor do BREXIT (saída do país da União Europeia). Está empoderada, sem constrangimentos aliados, no centro do Partido e do Governo.

Thereza May lembra muito sua antecessora, a Dama de Ferro, Margareth Thatcher, também conservadora, nos anos 1980, mas talvez se pareça mais com Angela Merkel, chanceler da Alemanha. Os tempos mudam e moldam novas personalidades afinadas com novos desafios. Há uma nova geração conservadora na Europa mais aberta ao diálogo com os costumes e com as demandas contemporâneas. Aquela era uma época de forte declínio da ideologia socializante no mundo inteiro, na antevéspera do fim da União Soviética. O pacto social-democrata, vigente em toda a Europa desde o fim da II Guerra, em 1945, inspirado numa esquerda moderada voltada à criação de um Estado de Bem Estar, demonstrava seus limites e abria uma era de renovação (neo)liberal - privatizações, maior competitividade e estímulos ao livre mercado -, a qual arrastaria em seu curso, inclusive, tradicionais figuras do socialismo europeu, como François Mitterrand, na França, e Tony Blair, na Inglaterra. Esta convergência ideológica, se por uma lado, isolou a esquerda mais radical em seus respectivos países e quebrou muitas das conquistas sociais do período anterior, contribuiu para a unificação da Europa,  acima do princípio das antigas soberanias nacionais, altamente beligerantes, e fortes pressões corporativas.  A União Europeia, enfim, foi a realização de um velho sonho dos espíritos mais lúcidos da região. Hoje, ao contrário, é o neoliberalismo que está em crise, mesclado com a persistente tensão nos mercados financeiros, altas taxas de desemprego em vários países da União Europeia e a inusitada crise dos refugiados.  Só a Alemanha recebeu um milhão deles. Desencanto, portanto, chegando ao pessimismo em vários caos.

Diante deste novo cenário duas reações, ambas altamente contestadoras à estabilidade da União Europeia: 1. o conservadorismo clássico da Europa é ameaçado,  à direita, pelo populismo xenófobo, à la Trump,  fazendo com que até se louve a sua sobrevivência em personagens como Angela Merkel e Thereza May; 2. A esquerda reacende seus ideais igualitários redividindo-se em três grandes grupos, todos bastante articulados em toda a Europa, mas sem fronteiras nem ideário muito rígidos: a velha social democracia, ligada à II Internacional Socialista, agora mais cautelosa frente à sedução neoliberal, como é o caso do novo Primeiro Ministro de Portugal, do Partido Socialista; uma nova esquerda democrática e combativa, que pretende rever os rígidos controles internos da União Europeia, como é o caso do Grupo DIEM25, liderado pelo Syritsa, da Grécia; uma esquerda mais radical, que retoma a inspiração das ruas no reencontro do conflito capital/trabalho, propondo a extinção da União Europeia,  á qual se aproximam, em alguns casos, os antigos e sobreviventes – como no Brasil -  Partidos Comunistas, como é o caso da “Nova Esquerda”, também em Portugal.

Não se sabe bem no que estas transformações todas no cenário europeu, acabarão dando. O tempo, senhor de todas as verdades, o dirá.

Enquanto isso, curte-se  mais um verão quente, cheio de realizações culturais por toda a Europa, muitos jovens andando de um lado pra outro, como se nada houvesse. Nos cafés, os mais velhos. Vida que segue. Como sempre, até na Guerra, até que os bombardeios cheguem aos nossos tetos. Uma coisa é atmosfera, outra é o front, outra ainda a retaguarda, onde acalentamos sonhos de amor e paixão eternos. A vida é bela. 


                                                          ***

O ARREBATAMENTO

 

Paulo Timm - 03-jan-2015

 

                                                       Inspirado e em homenagem a Ferreira Gullar

 

 

Daqui a pouco a aspereza

Há pouco só delicadeza

Daqui a pouco o mundo explode e acaba

Há pouco nada parecia

Daqui a pouco tudo será diferente

Há pouco a cruz do permanente

Daqui a pouco eu seremos outro

Há pouco  nem ninguém diria

Daqui a pouco o luar de prata

Há pouco ouro mel iridescente

Daqui a pouco farei cem anos

Há pouco tempo eu nascia

Daqui a pouco o poema

Há pouco palavras ao léu

E assim  pouco a pouco

De repente,

o arrebatamento.

Nada...Tudo...

 

 
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