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08/07/2016 00h00
 

É A ECONOMIA ESTÚPIDO!
Ou não...

 
Cena do cotidiano: Salve-se quem puder


                                                      Paulo Timm – Especial para A FOLHA, Torres – julho ,08

(A íntegra deste artigo, com ilustrações e gráficos explicativos, pode ser vista na coluna ao lado, com o mesmo título)

                                                 *

A expressão acima popularizou-se em 1992, nos Estados Unidos, quando o Presidente George Bush, perdeu para um desconhecido Governador do Arkansas, Bill Clinton. O marqueteiro de Clinton mostrou que o país estava em recessão e que é o bolso,  o órgão mais sensível do eleitor.


Nada mais apropriado  `a expressão do que o caso brasileiro. Foi a crise econômica, anunciada pela própria Presidente Dilma Roussef , logo de sua eleição em 2014, quando reverteu bruscamente as turbinas do seu discurso otimista de campanha, que abalou sua governabilidade.  Era um claro sinal de que as coisas não andavam bem. Naquele instante,  as empresas perderam a confiança no mercado – e no Governo - e iniciaram um processo brutal de paralização, verdadeiro lock out. Na verdade, até ali, as empresas vinham respondendo bem à expansão do consumo., Tratava-se de um caso típico de euforia de demanda, estimulada pelo próprio governo que expandia sua dívida, nem sempre visível,  à razão de 2,5% do PIB ao ano, num valor aproximado de R$ 250 bilhões. Chegamos em abril de 2016 ao astronômico número de R$ 4 trilhões de Dívida da União. Compreende-se: Era uma tentativa de se contrapor ao ciclo negativo, mas que acumulava tensões inimagináveis.

Mas se é possível localizar o momento crucial do início da crise  não é tão fácil saber com precisão suas causas.

Para os setores do Governo Dilma e PT essas causas seriam fundamentalmente externas: o baixo crescimento da economia no resto do mundo. Este argumento é insustentável. Outros economistas, mais independentes, como J.Belluzzo e Bresser Pereira, veem a crise mais pelo lado cambial. Reinaldo Gonçalves só enxerga erros, por todos os lados. Outros, mais keynesianos, acham que o erro maior foi a reversão com Joaquim Levy, não as ações anteriores.

O mainstream do mercado, porém, com seu séquito de “peritos contadores” centra sua crítica no déficit público e no elevado peso do Estado na economia brasileira, rejeitando, com isso, qualquer tentativa de financiá-lo através da elevação da já alta carga tributária. Faz algum sentido

 

Esta visão crítica da crise, sem grande poder explicativo, mas forte apelo midiático,  é a que está por trás da queda de Dilma e de apoio ao Presidente interino Michel Temer. Ela pode não ter grandes e sólidos argumentos que expliquem porquê as empresas despedem e cortam investimentos, mas  revela interesses : os credores da dívida temem um calote...

Temer, tem, então que forçar  um regime de curto e médio prazo de austeridade. Para tanto cortou gastos dos Ministérios, promete acabar com 4 mil Cargos em Comissão até dezembro e aprovou Mensagem contendo os gastos públicos nos próximos 20 anos no limite da inflação anual. Mas, ao mesmo tempo, enfrenta-se com a necessidade de se estabilizar politicamente, seja com o apoio do Congresso , seja com o apoio dos Governadores, seja com a docilização dos servidores públicos, sobretudo do Judiciário, onde se encastelam os privilégios  de Juízes e Procuradores com a mão na massa da LAVAJATO. A conta é grande, muito maior do que os cortes: R$ 125 bilhões, ou mais 2% do PIB de gastança que recairão sobre os três próximos anos, no qual só se perdoa, mesmo, o reajuste de 12,5% no misero Bolsa Família, pelo impacto bem maior que tem sobre a renda frente aos  outros, à razão de 1,5 contra 0,5.  Além disso,  o PMDB de Temer não é propriamente um arauto da austeridade, com força moral e política para levar a cabo tal política de austeridade. Pelo contrário, tem sido o paladino histórico, ao qual se associou o PT depois de 2003. Temer não tem, pois, grande fôlego “ reformista” e, contrariamente ao que se proclama, tem uma equipe fraca, porque dirigida por um Ministro da Fazenda fraco, um mero expert do mercado financeiro , incapaz de grandes malabarismos diante de uma crise que é  pior do que a enfrentada por FCH no seu tempo. Nem bem consegue um freio nos gastos públicos, já começa a despertar dúvidas quanto ao seu êxito no empreendimento, como se vê nos estrilos da rapaziada neoliberal.

 Contestado nas ruas, teme cada vez mais um retrocesso no impeachment. Vive, na verdade, um inferno astral. Onde tudo isso vai parar, (?), ninguém sabe. Nem eu...A única coisa que Temer tem a seu favor é a própria crise, que de tão profunda, já começa a dar sinais espontâneos de reanimação. Instinto de sobrevivência. Já o apontava desde o início do ano. Mas sempre disse, também, que o fôlego desta reanimação é muito curto. A crise da economia brasileira é muito maior do que aparece e se refere a uma tendência à estagnação que já dura 35 anos. Os anos bons com Lula foram apenas “Sonhos de Uma Noite de Verão”, iluminados, lá sim, por fatores externos.  Talvez  o sopro do convés limpo, agora,  não seja suficiente para salvar o Governo Temer. Mais uma razão pra alguém gritar do fundo corredor:

              - Foi a economia, estúpido...!

Na verdade, no caso, nem foi a economia. Foi o tempo...foi o PMDB...foi o Meirelles...foi o Temer. Foi o Brasil...

 

                                               

  


 
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