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24/06/2016 18h00
 

O BREXIT
Será o fim da União Europeia

 
Espanto, suor e lágrimas

 

O BREXIT : SERÁ O FIM DA UNIÃO EUROPEIA?

           Coletânea – P.Timm org. – Uso em sala de aula – 24,junho-2016

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 Apresentação

Paulo Timm – 24 junho 2016

CONSUMOU-SE A SAÍDA DA G.BRETANHA DA UNIÃO EUROPEIA

BREXIT: Será o fim da União Europeia?

 

CONSUMOU-SE A SAÍDA DA GRÃ BRETANHA DA UNIÃO EUROPEIA

A Europa amanheceu triste - eu, aqui em Portugal, onde me encontro, inconsolável - e chocada com a vitória do BREXIT , na Grã Bretanha, isto é , a decisão de seus eleitores de se afastarem da União Europeia. Maioria estreita: 52% x 48%. . Os ingleses aderiram, sempre, com ressalvas, ao projeto de unificação da Europa. Jamais  se subordinaram à zona do EURO, mantendo o que consideram o substrato básico de sua soberania, a libra esterlina.  O Euro, não obstante, fortaleceu-se como  moeda comum da União Europeia, controlada pelo Banco Central Europeu com sede em Frankfurt, este, o  pivot do que aqui se denomina TROIKA, a odiada  trinca da Austeridade Fiscal. 

Muitas perguntas a todo este processo de saída da Inglaterra: Por que os ingleses saíram? Como ocorrerá esta saída? Que consequências internas e para o conjunto da Europa acarretarão?

O plebiscito, em primeiro lugar, além de  apertado resultado, foi uma decisão tipo SIM x NÃO. Diante disso,  não há como garantir direitos da minoria perdedora. Muitos britânicos consultados nesta manhã, declararam-se simplesmente devastados com o resultado.  Difícil teste à democracia. Votaram a favor da saída do euro-projeto  os condados do interior, o país de Gales, os mais velhos os menos instruídos e de menor renda, vale dizer, grande parte dos trabalhadores. Votaram contra a saída Londres, Escócia, Irlanda do Norte, os mais jovens e instruídos, os detentores de maior renda, certamente os trabalhadores da City. O assunto, por vez primeira, extrapolou os parâmetros da velha divisão entre esquerda e direita. Em princípio, esteve tudo misturado.

Sinteticamente, apesar do apoio de sindicatos e alguns setores de esquerda a vitória do EXIT é uma vitória da DIREITA DEMAGÓGICA que se fortalecerá no continente Marine Le Pen, Geert Wilders e o partido extremista alemão AfD, além de Donald Trump nos Estados Unidos,  que são os portadores, nos seus países, dos mesmos temas:

Aversão à imigração;.

o nacionalismo;

e o que um autor denomina "supremacia do parlamento e os argumentos sobre a falta de democracia na União Europeia".

 

 Não obstante, foi a INGLATERRA , sempre, o mais forte porta voz do neoliberalismo no Parlamento Europeu. Logo, o BREXIT quer mais autonomia para maior NEOLIBERALISMO INTERNO na GB, em nome de uma maior suposta soberania para a promoção do desenvolvimento nacional.

A saída da GB não será automática. Levará anos. Há Acordos e Tratados a serem seguidos.  Tudo indica, contudo, que a GB tentará negociar uma posição privilegiada para seus produtos que têm grande peso no mercado europeu. Talvez tente uma condição de "meio-integrante" da UE, resguardando-se apenas os bõnus desta participação., à semelhança do que a Noruega, que jamais participou do bloco ,  já detém.

A principal consequência do BREXIT, além da queda imediata do Primeiro Ministro conservador que defendeu (mal) a permanência do seu país no bloco ,  é o fortalecimento do nacionalismo e da direita na Europa, com o corolário de referendos semelhantes em vários outros  países. A palavra de ordem da direita populista  será substituir UNIÃO EUROEIA por uma EUROPA UNIDA POR NAÇÕES SOBERANAS. Voltamos aos anos 30 do século passado.

 

A UNIÃO EUROPEIA é uma alternativa ruim, mas não há saída fora dela. Pelo menos, é um caminho de pavimentação da paz do continente e aprofundamento da tolerância e da democracia. . Isso não é pouco. A esquerda mais consequente tem rejeitado o excesso de rigor fiscalista da TROIKA, que já açoitou Grécia, Portugal, Irlanda e Itália. Em vários países, a esquerda já defende o abandono do projeto da UNIÃO EUROPEIA, considerando-o falido.

 

O mundo inteiro, porém,  está, , na verdade,  diante de um dilema: Se ficar o bicho pega , se correr o bicho come.

 

Ou seja, o NEOLIBERALISMO não é, por certo, o único nem melhor caminho, sobretudo para as economias menos desenvolvidas, mas não há clareza de algum Projeto Alternativo e das forças capazes de sustentá-lo democraticamente. Quando a esquerda avança, acaba isolando-se e perdendo a capacidade hegemônica e eleitoral. E mesmo quando a alcança, como foi o caso da Grécia, vê-se na contingência de dar alguns passos atrás para não perder a Governabilidade e o apoio da opinião pública.

 

 Antigamente, nos bons tempos do marxismo-leninismo, diante destas situações, de crise do capitalismo e emergência de situações revolucionárias,  a esquerda tinha, pelo menos, uma Teoria Crítica associada à ação revolucionária: Proclamava a necessidade da “Revolução”, através de um Partido de Classe, do Assalto ao Poder e da Edificação do Socialismo coma base numa economia centralmente planificada. Fiat lux! Estávamos, senão salvos, seguros.  Hoje, isso está fora de cogitação. Não há clareza sobre QUE FAZER? . Nestes casos,  o pior a fazer é aderir aos clamores xenófobos e segregacionistas da extrema direita, abandonando as alianças que podem, pelo menos, salvar a democracia, dando tempo à reflexão sobre como construir alternativas viáveis. O grande problema do nosso tempo, enfim, não é o da crise do capitalismo, mas de saber para onde e como iremos, pois, como não se cansa de afirmar S. Zizek, não é certo que o mundo caminhe inexoravelmente para o socialismo. Não para o que nos acostumamos a entender nos manuais estalinistas como tal.

 

                                                  *

 

O SONHO ACABOU!

        Paulo Timm – junho 23 Especial para A FOLHA, Torres RS

 

Escrevo de Portugal, onde me reencontro, de tempos em tempos, com minha amada e com minhas profundas raízes no Velho Continente. Sempre me considerei um europeu transplantado, sem desdouro aos bons ares americanos,  aos quais me aquerenciei, sobretudo no Rio Grande do Sul. Nosso Estado, a propósito, foi o último a ser colonizado e quando da Independência do Brasil, cuja sociedade já estava formada, embora com pouca gente, não passávamos de um conjunto de estâncias autônomas, pouco vinculadas a modesta capital, Porto Alegre. Sobre esse pano de fundo sobrevieram as migrações, a cultura da pequena propriedade, a valorização do trabalho livre, o empreendedorismo e as calorosas disputas político-ideológicas que desembocaram em guerra civil. Tudo muito diferente do Brasil. Parecido com a Europa....

Cá estou, pois. E a  ausência de sobressaltos na política nacional me abre espaço para sair , literalmente, do tema que ultimamente me concentra e consome: A crise no Brasil... A prisão de Paulo Bernardo, ex-ministro de Lula preso no dia 23,   a Policia Federal postada na sede do PT em SP , na madrugada do mesmo dia,  um vídeo mostrando o Senador  Sérgio Guerra , então presidente do PSDB,  negociando para frear CPI da Petrobras em 2009. (globo.com) e o foragido de operação sobre avião que caiu com  Eduardo Campos  encontrado morto (Folha) já nem comovem, nem abalam a República. Parece que banalizamos o mal...

Como anda, pois,  a Europa – e aqui me refiro à Europa Ocidental, hoje aglutinada em torno da União Europeia?

Diria que, como quase todos os lugares do Planeta, tensa: crescimento medíocre, altas taxas de desemprego, ameaças terroristas, trinques na ideologia da unificação. A era de  placidez das belas comédias românticas de Holywood, que faziam o contraponto ocidental e das fábulas do Paraíso Socialista ruíu ao final da década de 60. John Lennon, aliás, pontificou, no início de 1970: “ O sonho acabou”.

Tive a graça de ter vivido os Anos Dourados não só do Brasil, mas do mundo. Morro de saudades. Ainda vivi Paris nos anos 1977 e 78. Era uma cidade tranquila. Hoje vive sobressaltada pelos problemas do multiculturalismo, dos ghetos não incorporados e do terrorismo jihadista. Mas já naquele tempo vivia-se  uma transição, rumo às grandes crises que abalariam os dois polos da Guerra Fria: O muro de Berlim caiu em 1989, antecipando o fim da URSS em 1991. Os Estados Unidos desmoronava mais  na imagem externa, ao ter que se retirar, derrotado do Vietname em 1973, episódio que apenas ilustrava a perda da capacidade deste país para manter a Pax Americana conquista na II Guerra, mas que já também apontava para a fragilidade de sua moeda, desvinculada dois anos antes de sua equivalência com o ouro.

O mundo, enfim, começava a se reorganizar no final do século. Breve desembocaria na hipermodernidade da internet e redes sociais, do império da acumulação financeira sem controles, da globalização desenfreada com seus novos paradigmas de produção transnacional, das sociedades internas líquidas deslumbradas com seus novos templos de consumo e estetização do capitalismo , do culto do corpo e das celebridades, do ocaso do Governo e da vida pública, tudo sob a égide de uma filosofia retocada do liberalismo como única alternativa correta de governar. Alguém proclamou: “ É o fim da história” nele cabendo até uma China Comunista reconvertida ao mercado galopando sobre os mercados mundiais como um exército turco.

A Europa acompanhou o baile. E até reconverteu empedernidos comunistas, deixados à deriva pelo fim da URSS , aos encantos do neoliberalismo, mesmo sob protesto das corporações tradicionais mais aferradas à luta pela sobrevivência do que à ideologias.

Destruída por inúmeros conflitos internos, ela se concerta  em 1993 em  torno da  União Europeia .   Trata-se de uma união económica e política de 28 Estados-membros soberanos e  independentes, abrangendo uma área de 4.325.000 km², com uma população em  janeiro de 2013,  de 505,7 milhões de habitantes - http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/populacao-da-uniao-europeia-atinge-507-4-milhoes-de-pessoas. Foi fundada por FrançaBélgicaLuxemburgoItáliaPaíses Baixos,Alemanha, que constituem seu epicentro, com sede em Bruxelas , onde funciona o Parlamento Europeu.  No ano de 1998 a UE adotou o regime de moeda comum, rejeitado pela Inglaterra,  criando o   Banco Central Europeu, com sede em Frankfurt, Alemanha,  como banco central responsável  pelo euro com a  principal missão é preservar seu  poder de compra, assegurando assim a estabilidade financeira região. É o polo forte da austeridade fiscal ao lado da EU e do FMI.

A ideia da criação da União Europeia foi a concretização de um velho sonho de paz para o continente, mas foi também uma tentativa de criar um Bloco Econômico capaz de se situar estrategicamente na nova geopolítica do mundo. O grande problema da União Europeia, porém foi o momento em que foi instituída, justo numa era de dominância absoluta da ideologia neoliberal, sem espaço às correntes heterodoxas para participarem das decisões estratégicas de governança. Elas têm assento no Parlamento Europeu, mas não dispõem de força junto aos Acordos decisivos relativos á Política Econômica e Fiscal do bloco. Com isso, cria-se uma tensão interna insolúvel que leva a que muitos líderes hoje defendam a saída de seus países da União Europeia.

 Outro problema, associado claro, ao anterior, é a disparidade econômica interna do bloco. A eterna oposição entre mais ricos e mais pobres, os quais  ficam sem o domínio  de uma moeda própria para enfrentar os dilemas de sua Politica Econômica interna. Alemanha e França acabam dando as cartas para o conjunto do bloco, daí resultando o arrepio da Grã Bretanha que justamente neste dia que escrevo, 23 de junho, realiza um plebiscito para decidir o que a campanha pela saída denomina BREXIT. Um país como Portugal, de outra parte, acaba situado como um Estado do Nordeste no contexto da federação brasileira, mas sem as garantias de transferência de rendas dos Estados mais ricos. Tem acesso à créditos e até os usou no aparelhamento da infraestrutura, mas à custa de um endividamento que acaba onerando o défici público e submetendo-o aos rigores da responsabilidade fiscal da União Europeia. Agora mesmo, está na iminência, de novo, de sofrer sanções. O mesmo, aliás, ocorreu com a Grécia.

Em compensação, a União Europeia aboliu as fronteiras  e isto criou  não só uma grande mobilidade de mão de obra no seu interior, como acesso a mercados externos sob regime de moeda única, fatos inusitados na região e que levam as populações mais jovens, mais atingidas pelo desemprego, a se apegarem ao modelo existente. Hoje, em Portugal, calcula-se que entre 50 a 100 mil jovens deixam o país a cada ano, cifra que poderá perfazer um décimo da população dentre de um decênio, com prejuízos ao tamanho da população que está se reduzindo a olhos vistos. No final do século estará reduzida a pouco mais da metade . Mas se fizermos uma pesquisa com estes mesmos jovens se eles desejam que Portugal se retire da União Europeia, com vistas à formulação de um Plano de Desenvolvimento que poderia, no futuro, levá-lo a níveis maiores de desenvolvimento tecnológico e maior soberania nacional, eles provavelmente declinarão. O mesmo aconteceu na Grécia. Quando, na iminência de romper com a União Europeia, sob a égide de um governo de esquerda, a opinião pública recuou e está engolindo goela abaixo as doses amargas impostas pelo que chamam de Troika, as autoridades monetárias do bloco.

Nem todas estas questões são claras e evidentes à ilustrada cidadania europeia. Mesmo no caso do plebiscito na Grã Bretanha, as pessoas demonstram hesitação e dúvida, até porque o tema está desalinhado de suas opções tradicionais entre esquerda trabalhista versus conservadores. A favor do BREXIT, saída da Grã Bretanha da União Europeia, há líderes de esquerda e direita, estes, talvez mais,  o mesmo ocorrendo com os que defendem sua permanência, um pouco mais palatável à esquerda.  Ou seja, o mundo contemporânea, sobretudo no tocante ao seu enfrentamento á questão da globalização, não sabe muito bem que lado tomar.

No Brasil, estamos ainda um pouco longe de decidir eleitoralmente por um ou outro desses caminhos, mas a questão está inscrita nas disputas internas há bastante tempo. Mais dia, menos dia, eclodirá exigindo posições. E me pergunto se estamos realmente maduros para uma resposta?

 

 

 

 
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