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18/06/2016 00h00
 

A DITADURA DO ACONTECIMENTO
Sala de espera

 
Esperando acontecer...

 - SALA DE ESPERA

Cassiano Ricardo

Ah, os rostos sentados  numa sala de espera.  Um "Diário Oficial" sobre a mesa.  Uma jarra com flores.  A xícara de café, que o contínuo  vem, amável, servir aos que eram a audiência marcada.

Os retratos em cor, na parede,  dos homens ilustres  que exerceram, já em remotas épocas,  o manso ofício  de fazer esperar com esperança.  E uma resposta, que será sempre a mesma: só amanhã.  E os quase eternos amanhãs daqueles rostos sempre adiados  e sentados  numa sala de espera.

Mas eu prefiro é a rua.  A rua em seu sentido usual de "lá fora".  Em seu oceano que é ter bocas e pés  para exigir e para caminhar.  A rua onde todos se reúnem num só ninguém coletivo.  Rua do homem como deve ser:  transeunte, republicano, universal.  Onde cada um de nós é um pouco mais dos outros  do que de si mesmo.  Rua da procissão, do comício,  do desastre, do enterro.  Rua da reivindicação social, onde mora  o Acontecimento.

A rua! uma aula de esperança ao ar livre.  

*

 

Alguém já disse que entre a vigília e o sono, reina o acontecimento. O fato, no seu cotidiano e gris implacável. Às vezes, com uma boa nova, outras, com a cruel notícia de algo ruim. Alegrias e tristezas, esta sempre insuportável, se sucedendo, no rastro de êxitos e derrotas, ambos decisivos em nossas vidas. Ah...se a vida fosse só sucessos! Mas não. Eles próprios, não raro, são a principal razão de nossos tropeços. O tombo. O susto. A queda. Vida que segue. A quantos. A tantos. Até prantos...

Escrevo de São Paulo. E me dou conta como se confirma a máxima de Ortega y Gasset, filósofo espanhol do começo do século XX: “ O homem é o homem e suas circunstâncias “.  Daqui, a conjuntura nacional tem uma tonalidade diferente daquela que percebo no Rio Grande do Sul. Aliás, tudo no Rio Grande tem outro sabor, outro saber, outro caber. Será a fronteira? Será o frio? Será o peso da imigração ou da tradição? Quem sabe? Fico me imaginando como se perceberá a conjuntura lá em Rondônia, onde sequer se fala em crise, marcada toda aquela região que designo, por sugestão de meu amigo Everardo Maciel, Ex Secretário da Receita, como “Guaporé”, terras acima de São Paulo, hoje dominados pelo Reino do Agrobusiness? Ou do Brasil profundo dos Grandes Sertões, onde tudo se fixa como eternidade imutável ?

Pois falo: Aqui se diz que o ciclo da Redemocratização esgotou-se, principalmente, na pulverização do sistema político que liquidou, no seu caudal, a hegemonia do PT sobre as esquerdas e do PSDB sobre “o resto”. Aquele, cai na preferência dos brasileiros de 30% para meros 11%, cifra mais elevada, ainda, sobre todas as outras opções partidárias, enquanto a do PSDB decaiu para insignificantes 6%. Lula, o artífice do PT e  líder inconteste da esquerda ainda tem a preferência dos brasileiros como o melhor Presidente da História da República e melhor posicionado para a o cargo, com 33% de pontuação, mas sofre na carne uma alta taxa de rejeição, em torno de 57% , consequência da percepção que têm, em 72% dos consultados, de que não só sabia da “roubalheira”, como tinha “domínio do fato” de tudo o que aconteceu por obra do PT. Isso o inviabilizaria irremediavelmente  ao retorno à Presidência. No tocante ao PSDB, nem se fala. Seu Presidente, que disputou com Dilma as eleições de 2014, sumiu e, diz-se, breve será tragado pela LAVAJATO. Vai sumir. FHC já era, como uma voz ao longe,  candidato às próprias memórias.  Serra, ambição voraz sobre um desenho pouco simpático, está muito velho. Pena...O Governador Alkmin, de São Paulo, onde o Partido ainda tem alguma reverberação,  excede-se em falsas gentilezas em meio à crise estudantil. Ou seja, o Partido que galvanizou  a “ direita”, também se liquefaz na crise, cedendo lugar, pelo só protagonismo, ao PMDB.

Diante, pois , do esfacelamento da estrutura política que conduziu a redemocratização depois de 1988, acrescida  dispersão centrípeta das forças de esquerda e de direita mais organizadas, qual o diagnóstico?

Para a grande maioria dos analistas até independentes, o impeachment de Dilma é inevitável, mas por falta de alternativa, do que por “gosto” dos Senadores e Michel Temer terá dois anos para apresentar resultados que retomem o ritmo da economia. Isso posto, será o também “inevitável” candidato “conservador” em 2018, acompanhado pelo PSDB, DEM e PP.  É a ditadura do “acontecimento” que se impõe pesadamente a cada dia que passa. Caso, entretanto, Temer não consiga “reorganizar” o capitalismo brasileiro, a lances de “Ponte para o Futuro” comandados pelo Dr. Henrique “Simpson”, sua imagem “deteriorar-se-á” (com ou sem mesóclise...) , abrindo caminho para aventuras inimagináveis, a pior delas uma eleição avulsa de Ciro Gomes, ou ainda pior, o espectro do fascismo mesmo. Preocupante, neste sentido, é a atitude exclusivista do núcleo duro da esquerda formado pelo PT/PCdoB, o qual, tendo queimado as caravelas de contato com a classe média, com outras forças democrática e, principalmente com o PMDB, esta típica jaboticaba muito própria da pós-modernidade tropical, acabe reeditando o erro comunista no ocaso da República de Weimar. Naquela época, a social democracia, isolada pela “esquerda”, responsável no Governo diante da crise desencadeada pelo Crash de 29, ruiu aos pés de um Hitler minoritário, mas triunfante...

Há, entretanto, um óbice à  fria lógica paulistana de que o impeachment  é fato consumado. Este  pode se arrastar até à inanição. Não tanto pela  “resistência ao golpe” nas ruas, mas das habilidades da ferrenha defesa liderada pelo Ex-Ministro J.E. Cardozo, com a convocação de 40 testemunhas favoráveis à Dilma como , agora, a exigência, deferida pelo Ministro Lewandowski de realização de uma Auditoria. Neste caso, volta-se ao ponto de origem: Dilma, com ou sem apoio do PT, do Congresso, ou da Mídia, ou da Opinião Pública, volta com todos os poderes ao Planalto. E daí...? Daí se precipitariam os “acontecimentos” abrindo caminho para o inusitado: Deferimento em caráter de urgência pelo TSE do processo de anulação das eleições de 2014, intervenção mais enérgica do Supremo no tocante à prisões de políticos proeminentes, inclusive Sarney, Lula e até “mais”, renúncia conjunta de Dilma e Temer. Quem sabe...?

Concluo, assim, como o poeta gaudério que  “só existe quando está só... e que de tanto andar a esmo, com manha de caborteiro, vai de uma à outra banda ... com brasileiras coragens”, quedado em perplexidade. Sem o quê nada mais dizer fico à sala de espera dos acontecimentos...Sento-me, entre triste e desamparado e ouço  “Si yo tuviera el corazón”...

Si yo tuviera el corazón - YouTube

 4:08

https://www.youtube.com/watch?v=bVFOdhFAioA

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